EBITDA

A empresa é um sistema aberto que processa os recursos disponíveis para gerar bens e serviços, por ser um sistema aberto ela é influenciada pelo meio ambiente que esta inserida. Para garantir a existência da empresa, à utilização dos produtos gerados tem que ser superior ou pelo menos igual à utilidade dos recursos consumidos. Assim o valor dos produtos gerados e entregues ao mercado constitui a sua receita, o valor dos recursos para geração daquele mesmo produto constitui o custo da produção. O excesso da receita sobre o custo e as despesas é o lucro da empresa, chegando desse modo ao tradicional indicador de desempenho empresarial.

 

A dinâmica dos negócios hoje tem motivado a agilização dos gestores na tomada de decisões, o que passou a exigir medidas modernas de avaliação do desempenho das empresas. O uso de outros indicadores de desempenho passou a ser importante para identificar pontos fracos e prejudiciais à eficiência e eficácia empresarial, merecendo destaque um indicador de desempenho da atividade empresarial EBITDA, que passou a ser adotado por volta de 1997, dentre alguns fatores para sua adoção a desvalorização da moeda o real, e alta taxa de juros que ultrapassou os 45% a.a.

 

Com o uso do EBITDA, as empresas passam a chamar a atenção para o fato de que, apesar da possível ocorrência de eventos desfavoráveis, melhoraram o rendimento operacional. Portanto, o EBITDA se revela como um indicador capaz de demonstrar o verdadeiro desempenho da atividade operacional. É sobre ele que irei discorrer, buscando proporcionar ao leitor uma melhor compreensão do seu uso e conceito.

 

EBITDA (ou LAJIDA)

 

EBITDA (Erning before interest, taxes, depreciation and amortization) é um termo importado dos balanços americanos e aqui no Brasil pode ser traduzido por LAJIDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O EBITDA consiste num poderoso indicador de desempenho financeiro, posto que reflete o potencial de geração de recursos decorrentes das atividades operacionais da empresa. Engloba todos os componentes operacionais e desta forma compreender grande parte da receita auferida e despesas incorridas. Quando falamos em parte, é por que, o EBITDA leva em conta o desempenho operacional e deixa de lado o chamado resultado financeiro. Portanto, o EBITDA mensura o potencial operacional de caixa que o ativo operacional de uma empresa é capaz de gerar, não sendo levado em consideração o custo de eventual capital tomado emprestado, e nem computadas as despesas e receitas financeiras, os eventos extraordinários e os ganhos ou perdas não operacionais, as despesas com depreciação, amortização e exaustão.

 

Em que consiste o EBITDA

 

Para melhor compreensão, utilizaremos uma DRE – Demonstração do Resultado do Exercício simplificada, abaixo demonstrada:

 

Demonstração do Resultado do Exercício

RECEITA DE VENDAS

(-) CPV

= Lucro Bruto

(-) Despesas Operacionais C/Vendas

(-) Gerais e Administrativas

= EBITDA ou LUCRO APURADO AJUSTADO

(-) Depreciação/Amortização/Exaustão

(-) Despesas Financeiras

(+) Receitas Financeiras

= Lucro Antes do IR e CS

(-) Provisão para IR e CS

= LUCRO LIQUIDO

 

O EBITDA concentra informação no operacional e na capacidade da empresa em gerar caixa, esta é a principal razão para a exclusão destas despesas e receitas que passamos a descrever, embora sejam, muitas vezes inevitáveis ao fomento da atividade.

 

• DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO OU EXAUSTÃO – A desconsideração da depreciação, exaustão ou amortização no cálculo do EBITDA, deve-se ao fato destas não representarem desembolso (saídas de caixa). Em termo de raciocínio financeiro, representam uma reintegração ao resultado de valores anteriormente desembolsados.

 

• DESPESAS FINANCEIRAS – A exclusão das despesas financeiras decorre do fato destas não fazerem parte do ciclo operacional do negócio (exceto para as instituições financeiras) ou seja, não são ligados ao seu objeto, não é relevante preocupar-se com a forma como as atividades foram financiadas e sim com o desempenho operacional.

 

• RECEITAS FINANCEIRAS – Não possuem vinculo com a atividade principal, não são resultantes de operações usuais da empresa.

 

• IMPOSTOS SOBRE O LUCRO – O IRPJ e a CSLL são excluídos também do cálculo do EBITDA, por serem influenciados por outros itens não operacionais.

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